No modelo tradicional de criação de uma empresa existe um longo e detalhado processo até o produto que irá comercializar chegar aos seus clientes. O plano de negócios inicial é imutável e há uma fé cega de que o mercado está ansioso pelo nosso produto tal e qual foi imaginado.

O que acontece frequentemente é que o produto final, construído ao longo de meses e após muitas fases de desenvolvimento, não corresponde à necessidade dos clientes. Para muitas empresas é tarde de mais para reagir, pois o plano de negócios "infalível" previa que nessa fase se começasse a vender a toda a velocidade e não que se desse três passos para trás para  reformular todo o produto.

Esta é uma das principais razões pelas quais as empresas falham (há quem diga que 9 em cada 10 falham). Como alternativa a este modelo de gestão começou a ganhar alguma fama a metodologia lean startup. Nesta metodologia privilegia-se a experimentação em vez do plano detalhado, o feedback de utilizadores em vez da nossa intuição sobre o que é melhor, e a evolução iterativa em vez do desenvolvimento longo de um produto final. 

Pense em modelo de negócio, e não plano de negócio

Realizar um plano de negócio realmente completo pode demorar meses. Depois, no formato tradicional de ficheiros word e excel, é extremamente difícil de adaptar assim que somos confrontados com a realidade durante a execução. No modelo Lean Startup é optado um modelo simplificado e mais visual baseado na framework business model canvas. Este modelo é focado no valor que a empresa cria para os seus clientes e é facilmente adaptável. Essencialmente é a diferença entre planear o seu negócio com um conjunto de "certezas" inalteráveis ou com um conjunto de hipóteses que pode constantemente questionar e modificar. 

Não tenha medo de mostrar o seu produto

Na metodologia Lean Startup as empresas procuram a validação por parte de potenciais clientes e parceiros o mais rapidamente possível. No método tradicional era normal uma empresa passar meses ou até anos a construir um produto que se queria perfeito antes de lançar, tendo apenas por base pouco mais do que a uma intuição sobre o que os clientes queriam. O sugerido nesta nova abordagem é o oposto, apostando num desenvolvimento iterativo com base no feedback dos clientes finais. Neste processo é importante validar versões iniciais do produto, tanto nas suas funcionalidades como no restante modelo de negócio, que inclui o preço, canais de venda e estratégias de aquisição de clientes. Este feedback é depois integrado em nova fase de desenvolvimento e pode dar origem a pequenas alterações (iterações) ou modificações mais estruturais (pivots) à estratégia delineada. 

O caminho de uma empresa não é linear. É bom ter uma visão para a empresa, mas é igualmente importante manter a mente aberta para alterações. Não tenha medo de "ir para a rua" com o seu produto,  não espere que esteja perfeito, porque quanto mais cedo obtiver a opinião dos seus potenciais clientes menos recursos vai "desperdiçar".



  • Andre Silva
  • 0

Comentários

Ainda não existem comentários sobre este artigo. Seja o primeiro!


Seu comentário

Tags: #BoasPráticas#Empreendorismo#Gestão

Related posts

Este site usa cookies para melhorar o desempenho e experiência. Ao continuar, declara aceitar todos os cookies. Fechar